Bato pegadas sem enfeites
Firmo o solo, em um verso,
Semeio cerca sem rumo
Piso raso e piso fundo,
Sinto a terra entre os meus dedos.
Firmo o solo, em um trecho,
Planto o mar em uma parede.

Vai aonde o vento for
Sem culpa, caminha com o vento
Que bate fraco em suas asas tortas
E dança em harmonia.
…
Com esses pés descalços e sem salto
Salta tardes em noites de asfalto
Não teme o céu, mas dói o chão
Acerta os passos e põe o seu mal gosto
…
Poente, como nesse dia
Percebe que longe se vai
Assim que longe se sentir
Do lado de lá…
“Esse som doce que vagamente ultrapassa o presente e anseia o futuro, mas nunca o alcança. Cria paisagens de dupla face. Rabiscos! Ah… Esses rabiscos intransferíveis com cores doloridas e não menos apaixonadas e, quase sempre, ardentemente acompanhadas pelo interior daquele cuja alma desenha, porém as mãos não… Não obedecem! Esse som inquietante que expõe a harmonia de seus sibilos e convida aqueles menos dispersos para oscilar nos sonhos postos em chama e espalhados por esse chão em cores vivas. Tirais os calçados! Esse som melancólico presente na paixão e na dor de sentir saudades daquilo que não se perdeu, mostra tua verdadeira face e silencia esses lábios. Por fim e pelo início, esse som intrigante que mesmo depois de calado conserva as primitivas notas para não se fazer passageiro e exemplificar que a tristeza é insignificante quando se tem um caderno aberto.”
Gustavo Siqueira
Pelo retrovisor
Olho alguns instantes e vejo:
As lembranças que ficaram,
Os caminhos percorridos,
As decisões compartilhadas,
O conjunto de ideias,
A descoberta de novos rumos,
A sensação de seguir em frente
Sem perder de vista o que ficou…
.
Ficou,
Para ser contemplado
E ser prova verdadeira
Da união de vidas,
Que em comunhão,
Desfaz e Refaz
Um sonho de cada vez…
O pobre vê o mundo nublado
E por isso chora, mas permanece vivo
Se o visse nítido,
Talvez sorrisse, mas logo deixaria de viver.
.
O pobre vê o mundo vago
E por isso lágrima, mas permanece homem
Se o visse certo,
Talvez pensasse, mas logo deixaria de sentir.
.
O pobre vê o mundo pardo
E por isso clama, mas pemanece em pé
Se o(u)visse lindo,
Talvez dançasse, mas logo deixaria de escutar.
.
O pobre vê o mundo vivo
E por isso luta e permanece sólido
Se o visse morto,
Talvez caísse, mas logo deixaria de sonhar.
.
Autores: Gustavo Siqueira & Mateus Lima
(Visite também: http://poemaminuto.blogspot.com/)
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