Conto Pés

•30 / maio / 2012 • Deixe um comentário
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Fotografia: Gustavo Siqueira

Cansada de ler as mãos e seus gestos vulgares, passou a observar os pés e suas rachaduras. Com os olhos mais atentos, sentiu as raízes extraírem da terra a dignidade e o equilíbrio necessários para sustentar a delicadeza existente no interior de cada passo. Logo, entendeu que as mãos fazem, mas são os pés que trilham a jornada, absorvem as dores dos tropeços e deixam rastros pela história.

Gustavo Siqueira

O chão que planto

•19 / janeiro / 2012 • Deixe um comentário

Foto: Gustavo Siqueira

Piso simples e piso forte,
Bato pegadas sem enfeites

Firmo o solo, em um verso,
Semeio cerca sem rumo

Piso raso e piso fundo,
Sinto a terra entre os meus dedos.

Firmo o solo, em um trecho,
Planto o mar em uma parede.

Gustavo Siqueira & Mateus Lima

Em+Quanto

•11 / novembro / 2011 • 1 Comentário

Fotografia: Gustavo Siqueira

Enquanto sinto

Sinto vivo

Vou mais longe

Longe espero…

Fulô

•12 / agosto / 2011 • 1 Comentário

Imagem: Romero Brito

“…É em meu peito que brotam as flores da colheita que faço para agraciar a estrada que nos leva para o mar…”

Passos ao Vento

•14 / maio / 2011 • Deixe um comentário

Foto: Gustavo Siqueira

Vai aonde o vento for

Sem culpa, caminha com o vento

Que bate fraco em suas asas tortas

E dança em harmonia.

Com esses pés descalços e sem salto

Salta tardes em noites de asfalto

Não teme o céu, mas dói o chão

Acerta os passos e põe o seu mal gosto

Poente, como nesse dia

Percebe que longe se vai

Assim que longe se sentir

Do lado de lá…

Versos Vazios

•28 / março / 2011 • Deixe um comentário
28 em Fevereiro

Fotografia: Gustavo Siqueira

Há tempos que observo

Palavras em calçadas

Rimando com o concreto

Para nascer o abstrato

E…,

Assim como meu copo,

Permaneço…

Suspiro e Perpétua: Saudade…

•22 / dezembro / 2010 • 3 Comentários

Imagem: Junior Lopez

“Esse som doce que vagamente ultrapassa o presente e anseia o futuro, mas nunca o alcança. Cria paisagens de dupla face. Rabiscos! Ah… Esses rabiscos intransferíveis com cores doloridas e não menos apaixonadas e, quase sempre, ardentemente acompanhadas pelo interior daquele cuja alma desenha, porém as mãos não… Não obedecem! Esse som inquietante que expõe a harmonia de seus sibilos e convida aqueles menos dispersos para oscilar nos sonhos postos em chama e espalhados por esse chão em cores vivas. Tirais os calçados! Esse som melancólico presente na paixão e na dor de sentir saudades daquilo que não se perdeu, mostra tua verdadeira face e silencia esses lábios. Por fim e pelo início, esse som intrigante que mesmo depois de calado conserva as primitivas notas para não se fazer passageiro e exemplificar que a tristeza é insignificante quando se tem um caderno aberto.”

Gustavo Siqueira